{"id":328,"date":"2018-03-20T20:59:54","date_gmt":"2018-03-20T20:59:54","guid":{"rendered":"http:\/\/helenadourado.com\/?p=328"},"modified":"2018-03-20T21:00:20","modified_gmt":"2018-03-20T21:00:20","slug":"amor-3-0-a-maldicao-dos-anos-10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.claramentedesign.com\/?p=328","title":{"rendered":"Amor 3.0: A maldi\u00e7\u00e3o dos anos 10"},"content":{"rendered":"<p>O amor \u00e9, actualmente, uma defini\u00e7\u00e3o estranha. Ningu\u00e9m sabe o que \u00e9, como surge, de onde vem e o que significa. O amor tornou-se num conceito ut\u00f3pico que ningu\u00e9m sabe ao certo definir. \u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o que paira no ar e nos arrasa momentaneamente. (Ou ser\u00e1 isso paix\u00e3o?) Vivemos perdidos em etimologias antigas que neste s\u00e9culo h\u00e1 muito deixaram de fazer sentido.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem defina o amor como sendo um estado do Facebook, uma demonstra\u00e7\u00e3o p\u00fablica de afecto ou uma troca de prendas abismal: a beleza de mostrar ao mundo uma rela\u00e7\u00e3o, nova ou antiga, na sua plenitude. O problema est\u00e1 a\u00ed. O amor n\u00e3o \u00e9 isso. N\u00e3o \u00e9 o que mostramos diariamente aos outros: \u00e9 o que est\u00e1 nos bastidores. \u00c9 o que fazemos por <strong>n\u00f3s<\/strong>. O amor deixou de ser o que deveria de ser. O amor passou a ser um estado. \u00c9 um conjunto de vantagens para um par de pessoas. Um relacionamento amoroso t\u00edpico \u00e9 fazer de conta que est\u00e1 tudo bem para os transeuntes. Temos de ser at\u00edpicos. Basta.<\/p>\n<p>Muitas pessoas j\u00e1 n\u00e3o ficam juntas por amor; apenas por necessidade, possessividade ou conformismo.\u00a0 Ficam juntas s\u00f3 porque sim. Porque d\u00e1 jeito. Esquecem-se da sensa\u00e7\u00e3o que deveriam sentir ao estarem acompanhadas. Deviam-se sentir nas nuvens, alinhar os seus destinos e sorrir juntos. Deviam fugir e viver aventuras, constituir fam\u00edlias felizes e ver filhos a crescer \u00e0 velocidade da luz. Porque&#8230; Porque quando as pessoas s\u00e3o felizes, o tempo passa a correr. Quando damos por ela, a bengala est\u00e1 na m\u00e3o e os p\u00e9s de galinha s\u00e3o o nosso charme.<\/p>\n<p>O Amor 3.0 \u00e9 muita coisa. Um desespero final. O &#8220;amor&#8221; vem do Tinder e do OkCupid. O &#8220;amor&#8221; \u00e9 um conjunto de palavras escritas num teclado t\u00e1ctil. \u00c9 uma tentativa de viver sem se estar s\u00f3. \u00c9 uma tentativa de n\u00e3o terminar numa solid\u00e3o eterna. N\u00e3o \u00e9 uma tentativa de encontrar a pessoa mais indicada para a vida que queremos levar. O que \u00e9 isso de &#8220;almas g\u00e9meas&#8221;? Quem \u00e9 o\/a &#8220;tal&#8221;?<\/p>\n<p>Actualmente \u00e9 dif\u00edcil conhecer pessoas fora das teias da Internet. Falo por mim, uma simples millenial. Conhecer pessoas mudou. Os objectivos dos jovens mudaram. Agora as pessoas casam-se pouco antes dos 40 (ou nem se casam) e t\u00eam filhos a partir dos 35 (ou nem os t\u00eam). \u00c9 dif\u00edcil sonhar alto num pa\u00eds repleto de precariedade, verdade?<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 pontos positivos: homens e mulheres do mesmo sexo j\u00e1 se podem casar.\u00a0Porque o que \u00e9 o casamento? \u00c9 uma <strong>uni\u00e3o<\/strong>. Casamento entre\u00a0pares do mesmo sexo n\u00e3o precisa de ser cat\u00f3lico ou isl\u00e2mico. Basta ser uma uni\u00e3o, um registo. As pessoas \u00e9 que n\u00e3o entendem. Todos temos o direito de amar, mesmo que o amor se tenha tornado num conceito um tanto irreal.<\/p>\n<p>E eu s\u00f3 sei que nasci no s\u00e9culo errado. As coisas n\u00e3o deveriam ser assim. <strong>Deveriamos poder ficar juntos porque faz sentido. N\u00e3o porque d\u00e1 jeito.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O amor \u00e9, actualmente, uma defini\u00e7\u00e3o estranha. Ningu\u00e9m sabe o que \u00e9, como surge, de onde vem e o que significa. 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